Sunday, April 02, 2006

O frio que vem de dentro...para reflectir...

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve.
Teriam que esperar até ao amanhecer para poderem receber socorro.
Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao
redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse - eles sabiam-no, todos
morreriam de frio antes que o dia clareasse. Chegou a hora de cada um
colocar a sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem
sobreviver.

O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros
cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou
consigo mesmo:
- "Aquele negro! Jamais darei a minha lenha para aquecer um negro." E
guardou-as protegendo-as dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava
receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um círculo em torno do fogo
bruxuleante, um homem da montanha, que trazia a sua pobreza no aspecto rude
do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas ao valor
da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou:
- "Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?"
O terceiro homem era o negro.Os seus olhos faiscavam de ira e
ressentimento.
Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral
que o sofrimento ensinava.O Seu pensamento era muito prático:
- "É bem provável que eu precise desta lenha para me defender.
Além disso,eu jamais daria a minha lenha para salvar aqueles que me oprimem".
E guardou as suas lenhas com cuidado.
O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os
outrosos caminhos, os perigos e os segredos da neve.
Ele pensou:
- "Esta neve pode durar vários dias. Vou guardar a minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente
para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que
carregava.
Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?)
para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosa das mãos,
os sinais de uma vida de trabalho.O seu raciocínio era curto e rápido.
- "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem
mesmo o menor dos meus gravetos."
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última
brasa da fogueira cobriu-se de cinzas e finalmente apagou-se.
Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegaram à caverna
encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de
lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de Socorro
disse:
- "O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de
dentro!...."

( Anônimo)

3 Comments:

Blogger caminante said...

Cierto. El frío está dentro. Lo generan los corazones avaros, malpensados... Ya lo dijo ÉL: es del corazón del hombre de donde procede el mal.
Quien más da, más tiene. Y no terminamos de entenderlo.
Hermosa parábola. Me servirá pronto.
Un fortísimo abrazo.

2:42 PM  
Anonymous AntónioG. said...

O texto é impressionante. Gostei muito. Fez-me reflectir!

Bjinhos,

12:26 PM  
Anonymous Anonymous said...

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